Fazenda do Espírito Santo

  Localização:
distrito de Tamoios, Cabo Frio

População:

13 famílias

Situação da terra:

Em litígio

Tamanho da área:

Área original de 22 alqueires

Nominação:

Comunidade Negra sem demanda pelo reconhecimento como Remanescente de Quilombos

Histórico:


As terras que compõem a propriedade de nome Fazenda do Espírito Santo fica localizada na zona rural do município de Cabo Frio. A fazenda, inicialmente com vinte e dois alqueires (sem confirmação técnica), foi adquirida por meio de compra, entre o fim do século XIX e início do século XX, por Romualdo Severino. Esse ancestral, cujo nome foi transmitido sob forma de sobrenome para seus descendentes, deixou a fazenda para seus filhos e netos sob a condição de que a terra nunca fosse vendida ou dividida, sendo atualmente denominada pelos atuais moradores como "terra de herdeiro".
Atualmente treze casas estão distribuídas nesta área reduzida à, aproximadamente, metade do seu tamanho original em função de empréstimos e doações a outras pessoas com quem se mantém relações de amizade, compadrio ou de parentesco. Nesta área encontram-se, as plantações dos moradores, áreas de pasto para a criação de bois e uma pequena mata nativa.
Há cinco anos, um pequeno fazendeiro se apropriou de, aproximadamente, dois hectares dessas terras. A grilagem começou através de um ofício da delegacia local que os intimava para prestarem esclarecimentos a respeito de denúncias de desmatamento feito pela população na mata nativa existente no local. Ao chegarem na delegacia, perceberam que se tratava de uma proposta de negociação da terra: o pequeno fazendeiro alegava que precisava de um "empréstimo" de terras para criar seus bois até que seu pasto ficasse pronto para o uso. Ao resistirem a essa proposta, foram pressionados a aceitar sob pena de serem acusados de roubo de bois do fazendeiro. Mais tarde, com o fim do acordo forçado, foram novamente pressionados pelo fazendeiro que ameaçava cortar a cerca colocada pelos moradores da comunidade, ao tentarem recuperar suas terras. Alguns anos antes, a comunidade já tinha sido vítima de um grande fazendeiro da região que também tentou se apropriar de parte dessa área, mas que foi recuperada pela própria população. Há cerca de dois anos, um dos membros da comunidade foi ameaçado de morte pelo jagunço do fazendeiro que, além de agredi-lo, disparou a arma bem próximo à cabeça do morador.
Hoje, a comunidade se encontra dividida sobre os procedimentos a serem tomados a respeito da terra sob o controle do fazendeiro e sobre a manutenção ou não do patrimônio indiviso.