Machadinha

  Localização:
Quissamã

População:

69 famílias

Situação da terra:

Sob domínio e posse das famílias originárias e de proprietários particulares

Tamanho da área:

Sem informações

Nominação:

Comunidade Negra sem demanda pelo reconhecimento como Remanescente de Quilombos


Histórico:

A comunidade de Machadinha, localizada no município de Quissamã, norte do estado, é composta de dois agrupamentos distantes entre si cerca de dois quilômetros: um ocupa as antigas senzalas da Fazenda Machadinha e o outro, o Sítio Santa Luzia. Os dois agrupamentos, Sítio e Fazenda, são ocupados por uma mesma população desde o final do século passado. A principal diferenciação dos núcleos, apesar das relações de amizade, parentesco e do sentimento que a maioria partilha de uma origem comum é o estatuto da terra em que vivem. No Sítio Santa Luzia, a propriedade é familiar, usufruto de herdeiros; enquanto que na Fazenda, a terra é propriedade do Engenho Central de Quissamã, também chamado de Usina,e para residir lá é necessário ser trabalhador do engenho.
É nas senzalas que se encontram a grande maioria dos descendentes dos antigos escravos do Engenho, enquanto que no Sítio estão os descendentes de ex-escravos que receberam essa terra através de uma doação. Há, ainda, um terceiro agrupamento negro chamado Bacurau. O Sítio e o Bacurau consistem em duas unidades descendentes do núcleo dos moradores das antigas senzalas, todos descendentes dos escravos de uma grande fazenda do Visconde de Ururaí.
A casa-grande do engenho (hoje, totalmente degradada) e as senzalas (preservadas pelos próprios moradores, descendentes dos escravos que já moravam nelas) constituem um conjunto arquitetônico tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC). Em 2001, a prefeitura de Quissamã adquiriu esse conjunto do Engenho Central e propôs transformá-lo em uma espécie de parque temático voltado ao turismo histórico, mantendo os moradores nas senzalas, mas sem lhes conceder a propriedade das terras que ocupam.
Não há entre as famílias uma narrativa memorial sobre o período da escravidão, ao contrário, o que se percebe é uma enorme censura para se abordar tal tema. Apesar do interesse que os órgãos públicos municipais têm pelo local e sua população, por conta de sua experiência histórica, a própria população demonstra muita resistência por tudo que se relaciona ao passado, como a senzala ou o fado e o jongo, antes praticados pelo grupo.