|
Comunidade
Remanescente de Quilombo
da Ilha de Marambaia
| |
Localização:
Mangaratiba
População:
90 famílias
Situação da terra:
Em litígio.
Tamanho da área:
Sem informações oficiais
Nominação:
Com demanda pelo reconhecimento oficial como Remanescente de Quilombos |
Histórico:
A
Comunidade Remanescente de Quilombo da Ilha da Marambaia está
localizada no litoral de Mangaratiba (RJ), em uma área considerada
de segurança nacional e controlada por militares. Distribuídas
pelos dois pontos extremos da ilha, as antigas casas de alvenaria
e estuque abrigam uma população de cerca de noventa
famílias descendentes, direta ou indiretamente por meio dos
casamentos, de escravos. Durante o período da escravidão,
a ilha era mantida por seu dono como local de "engorda"
de escravos, antes de serem vendidos para outras fazendas. Os atuais
moradores contam que, pouco antes de morrer, o Comendador Breves teria
doado, verbalmente, toda ilha para os ex-escravos que ainda permaneciam
nela.
Depois de passar por muitos administradores, em 1971, a Marinha do
Brasil, retoma a administração da ilha, inaugurando
dez anos depois o Centro de Adestramento da Ilha da Marambaia, CADIM.
A partir de 1998, a Marinha iniciou diversas ações judiciais
de Reintegração de Posse contra os antigos moradores,
alegando que estes seriam invasores de terras da União, sendo
alguns deles expulsos. Neste mesmo ano, a Pastoral de Itaguaí
escreveu uma carta a FCP denunciando as constantes ameaças
e os despejos feitos pela Marinha contra essas famílias, anexando
a ela um "dossiê". Em 2000, a Procuradoria da República
requere da FCP providências para o caso. Em 2002, o procurador
Daniel Sarmento solicita ao Projeto Egbé/Territórios
Negros um relatório preliminar sobre a área e dá
entrada em uma Ação Civil Pública pedindo o reconhecimento
da comunidade como remanescentes de quilombo, assim como a suspensão
das derrubadas de casas, expulsões e proibições
impostas pela Marinha. A liminar da juíza suspendeu as demolições
e expulsões dos moradores da ilha e solicitou que a FCP se
pronunciasse sobre o reconhecimento dos ilhéus como comunidade
remanescente de quilombo. Em março de 2003, depois de muitos
obstáculos impostos pela Marinha, o Projeto Territórios
Negros inicia seus trabalhos para produção do laudo
antropológico solicitado pela FCP, que é entregue em
dezembro daquele mesmo ano, mas até o momento não houve
qualquer ação para regularização fundiária
daquelas famílias.
Leia
também:
Dossiê
Marambaia
Observatório
Quilombola > Monitoramento > Reportagens
especiais (janeiro) > A festa contra as armas: Projetos e eventos
culturais são promessas de um ano novo de mudanças
positivas na Ilha da Marambaia Por Rosa Lima Peralta
Observatório
Quilombola > Monitoramento > Contextos Locais > Marambaia
> Apresentação
Observatório
Quilombola > Impressões Plantares > Relatórios
> Laudo Marambaia
|