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Comunidade
Remanescente de Quilombo
de São José da Serra
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Localização:
distrito
de Santa Isabel, Valença.
População:
16 famílias
Situação da terra:
Em litígio.
Tamanho da área:
A delimitação territorial realizada pela FCP corresponde
a 837,75 ha,
mas a população questiona essa medição
e reivindica 250 ha.
Nominação:
Reconhecida oficialmente como Remanescente de Quilombos pela FCP |
Histórico:
A
Comunidade Remanescente de Quilombo de São José da Serra
consiste atualmente na sétima geração desde os
primeiros escravos comprados para trabalhar nas lavouras de café
da fazenda São José, no município de Valença.
As gerações seguintes construíram laços
de parentesco e solidariedade, viveram a crise do café e sua
substituição pelo milho e depois pelo gado. Desde então,
as famílias, unidas por laços de parentesco, permaneceram
por mais de um século na mesma terra herdada por seus ancestrais
do antigo proprietário da fazenda. Essas famílias vêm
assistindo a sucessivas gerações de herdeiros adiarem
a promessa verbal de legalizar a doação feita pelo primeiro
proprietário, assim como resistido como podem ao avanço
sobre suas posses.
Nessas terras, os negros de São José constituíram
um núcleo religioso e cultural procurado não só
pelos moradores das cidades próximas, mas de vários
outros pontos do estado. Além do poder religioso de sua matriarca,
a comunidade é uma referência também por seu jongo,
que atrai bailarinos, estudiosos ou simples simpatizantes.
Os conflitos se iniciaram há cerca de quinze anos, quando um
novo proprietário, de fora da família do antigo proprietário
que teria feito a doação verbal, começou a restringir
as liberdades com as quais os moradores estavam acostumados, na realização
de atividades religiosas e na redução do espaço
destinado às plantações. O reconhecimento como
"remanescente de quilombos" em 1999 abriu o caminho para
a titulação de suas terras, mas o processo tem se mostrado
demorado porque depende da desapropriação de cinco fazendas.
Além disso, a população questiona os limites
indicados no parecer da FCP que delimitou uma área de 837,75
ha, quando a própria comunidade reivindica uma área
com a qual sempre manteve laços históricos e imemoriais
que corresponderia unicamente a atual Fazenda São José,
hoje com aproximadamente 250 ha (dados não oficiais e sem confirmação
técnica).
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