Sítio dos Elias

  Localização:
distrito de Tamoios, Cabo Frio

População:

27 famílias

Situação da terra:

Em litígio

Tamanho da área:

15 alqueires

Nominação:

Comunidade Negra sem demanda pelo reconhecimento como Remanescente de Quilombos

Histórico:

A comunidade do chamado "Sítio dos Elias" está localizada na zona rural, segundo distrito do município de Cabo Frio. A comunidade do chamado "Sítio dos Elias" era parte integrante do que foi a Fazenda do Vinhático. A origem daquelas terras é explicada a partir de duas versões e ambas ligam a terra e seus moradores ao período escravista.
A primeira versão afirma que a comunidade teria se originado a partir de uma doação de aproximadamente quinze alqueires feita pelo próprio proprietário da fazenda ao seu filho ilegítimo com uma escrava. A outra versão afirma que após a abolição da escravatura um casal de ex-escravos da mesma fazenda passou a trabalhar como arrendatário para uma outra família de fazendeiros da região e, em 1924, conseguiram comprar o sítio que arrendavam. Ainda que sem a devida regularização cartorial, os quinze alqueires de terra (medição sem confirmação técnica) permaneceram em posse pacífica dos descendentes desse casal de ex-escravos, sem qualquer iniciativa de partilha, como uma terra de uso comum. Para regular esse uso comum, a comunidade dos Elias criou algumas regras, como a proibição da venda da terra ou da sua fragmentação em lotes.
A partir da década de 80, a comunidade começou a ser assediada por fazendeiros vizinhos que tentam grilar suas terras. A primeira investida foi afastada pela resistência dos moradores. Alguns membros da comunidade enfrentaram o fazendeiro invasor retirando todas as cercas que ele colocava e que dava um novo limite às suas terras. Atualmente as vinte e sete famílias que ocupam a área estão impedidas de usar quatro alqueires de suas terras, que foram invadidas por um outro fazendeiro, que a ocupou como pasto. O grupo imediatamente entrou com uma ação na justiça reivindicando reintegração de posse. Apesar de passados quase vinte anos, até o momento não se tem notícia sobre o resultado do processo e esses quatro alqueires permanecem cercados pelo fazendeiro que mantém lá o seu gado. Desiludidos, os atuais moradores não se interessam por iniciar um novo processo judicial para tentar recuperar essa terra.