Koinonia
Koinonia
 

_Monitoramento__Contextos Locais__Cangume

APRESENTAÇÃO
INFORMES:

Informe 1 (2005)

 

Informe 1 (2005)

A comunidade de quilombo
Por Rose Leine Bertaco Giacomini

A comunidade de Quilombo do Cangume, localizada no município de Itaóca (SP), está enfrentando sérias dificuldades econômicas, conseqüência do conflito atribuído aos fazendeiros no entorno que estão no território quilombola definido pelo Relatório Técnico-Científico publicado em dezembro de 2004 no Diário Oficial do Estado. Os quilombolas foram expropriados de suas terras no final da década de 60, após a Titulação do 46° Perímetro de Apiaí realizado pelo Estado. A comunidade ficou com apenas uma gleba de uso comum que eles denominam de "Patrimônio" com apenas 37 ha, comportando cerca de 37 famílias, destacando que é uma área muita acidentada com altitude elevada.

O conflito se acirrou porque os fazendeiros no entorno não estão mais cedendo ou arrendando pequenas porções de terras para as famílias da comunidade do Cangume plantarem as culturas de subsistência, como o feijão, o arroz, o milho, a mandioca. Esses fazendeiros formaram pasto em suas terras transformando a área agricultável em um criatório de gado.

Até antes de ser realizado o trabalho de reconhecimento da comunidade como remanescente de quilombo, ainda cediam ou arrendavam porções dessas terras para as famílias quilombolas plantarem. Mas após o reconhecimento oficial o conflito se acirrou. Moram na comunidade aproximadamente 37 famílias, que não têm terra para plantar. O lugar onde moram é o centro da comunidade chamado de "Patrimônio" pelo grupo. Nesse lugar eles possuem apenas um quintal em torno da casa, o qual usam para cultivar hortaliças e criar alguns animais de pequeno porte como a galinha, o porco e o cabrito, o que caracteriza a economia com sendo de subsistência. As casas estão localizadas umas próximas as outras.

Grande parte dessas famílias está passando por necessidade econômica, pois não consegue terra para plantar e não tem de onde tirar o mínimo para a sua subsistência, já que os empregos temporários também estão escassos. No entorno, só existem criações de gado, atividade que necessita de pouca mão-de-obra. Além disso, destacamos que poucos conseguem a aposentadoria que é tão importante no meio rural, pois muitas famílias quilombolas com quase nenhuma terra sobrevivem apenas desse dinheiro.

Tendo como referência as dificuldades que historicamente as populações tradicionais têm enfrentado para assegurar seus direitos constitucionais, destaco a necessidade urgente de regularizar as terras do quilombo Cangume, direito assegurado pela ADCT do artigo 68. Sendo seu território localizado em área particular, foi definida a competência do Incra na questão da titulação a partir de 20 de novembro de 2003, conforme Decreto 4.887.

Entende-se que esses conflitos são resultantes da ausência de políticas públicas, destacando a garantia de seu território atribuído pela Constituição, além dos direitos básicos do cidadão, como saúde, educação, atividades produtivas que reflitam no reconhecimento real das especificidades étnico-culturais das populações quilombolas.
Neste mês de abril, a assessoria jurídica dos quilombos no Vale do Ribeira propôs entrar com um processo de reintegração de posse no Ministério Público Federal de uma área particular localizada no território quilombola para que possa assegurar à comunidade o uso de uma área demarcada para o plantio das culturas de subsistência.

É necessário que se tome com urgência uma providência por parte do poder público para resolver esse conflito, destacando que a comunidade está passando por necessidades econômicas, frisando que é uma questão de subsistência para aquelas famílias que estão desestimuladas a lutarem pela terra.

A comunidade do Cangume está aguardando a titulação de suas terras.

Sobe


O que é Quilombo?
Quem Somos
Links
Cadastro
Contato
 
Página Inicial Mapa do site Enviar um e-mail
  Imprimir
  Enviar para
um amigo
  Pesquisar Efetuar uma pesquisa
  Voltar