Carta
de um morador (não assinada)
Ilha
de Marambaia, 16 de março, de 1998.
FONTE:
Arquivo KOINONIA
DATA: 16/03/1998
O
que nos traz aqui é o um problema que está afligindo
a nossa pequena comunidade estamos perdendo o direito de permanência.
Cito como exemplo meus pais ele com 75 / ela 70 anos, não
sendo nós os únicos prejudicados a outras na mesma
situação.
Que
aguardamos uma solução que por direito nos pertence,
pós somos filhos agora mães e pais que vivem a
mesma apreensão, pois do fruto do mar é a nossa
sobrevivência, Senhor Presidente não lhe comove
o choro daquela mãe desesperada falando dos seus problemas,
de sua casa demolida sem piedade.
Pergunta-lhe?
É possível pessoa como nós sem condições
laçadores da nossa fonte de alimentação
vivemos assim.
Seremos
capazes de vivermos em outro mundo que não seja o nosso?
Com
o pouco estudo que nós temos será possível
conquistarmos um futuro descente em outro lugar?
Até
nossos filhos só podem cursar até a 4º série.
É
assim mesmo no ano de 99 serão privados disto também.
Senhor
é todo aquele que tem poder.
Então
senhor Presidente use o seu poder pelo bem de alguém
filhos de Deus que lhes imploram por piedade.
Nós
somos felizes aqui!
Isto não basta.
Daqui
só saem meus ossos
FONTE:
Zona Oeste
DATA: 2/08/1998
Sou
nascido e criado na Ilha. Querem nos tirar, mas daqui só
saem meus ossos. Gosto demais de viver aqui. Os mais antigos
são tratados como parentes. A véia Camila morreu
com 135 anos. Antigamente tinha de tudo na ilha. Isso era cheio
de gente. Quando chegava um barco era uma festa. Tinha fábrica
de farinha de peixe, de sardinha e de gelo. Tinha carpintaria,
armarinho e farmácia. Até manteiga era fabricada
aqui. Tinha criação de bois, búfalos, porcos,
perus e galinhas. E agora, cadê?.
No
carnaval, o barracão de tecelagem era cedido para trazer
os artistas. Na Ilha tinha até cinema. No hospital, quando
não dava para tratar o doente, ele ficava no abrigo e
depois era levado o continente. Hoje, se passar mal e não
tiver canoa, morre aqui. Tenho 12 filhos vivos, a metade mora
aqui. O restante casou e teve que sair da ilha. Não dava
pra ficar todo mundo igual a sardinha em lata".
O
nativo Adelino Juvenal Machado, 76, trabalhou 35 anos como cozinheiro
na Escola de Pesca da Ilha. Também foi notificado a derrubar
sua casa.
Adelino
Juvenal Machado

Carta
do morador Gilberto
FONTE:
Arquivo KOINONIA
DATA: 04/09/2003
O
que nos trás aqui é um problema que está
e continua afligindo o povo desta pequena comunidade eles estão
perdendo o direito a permanência nesta Ilha onde nasceram
e cresceram.
Eu
Gilberto em pouco conhecedor dos problemas que os moradores
vem enfrentando com as ações movidas contra esse
povo humilde e caçadores de suas fontes de alimentação
tive a honra de conhecer vários moradores desta Ilha
inclusive a senhora Zenilda Soares Felicíssimo hoje 67
anos filha de João Cecílio Soares e Iracema Feliciano
Soares ambos nascidos em Marambaia ele em 1911 e ela 1912 os
dois últimos já falecidos, e querem tirar o direito
da senhora Zenilda a permanecer nesta Ilha.
E
justo depois de 65 anos ser expulsa como se fosse uma invasora.
Não
sendo só nós os prejudicados a outros moradores
que se encontra na mesma situação, estão
querendo nos expulsa desta Ilha através de ações
movida contra nós motivos desta Ilha que nos processos
somos chamados de invasores diz um morador que pediu para não
revelar a sua identidade.
Eles
são apenas em povo sofrido que vivem da pesca e do cultivo
este ultimo já foram proibido de fazer. Aqui eles são
escravos quando a escravidão já é passado.
Eles não tem o direito de plantar, reformar suas casas
e até tem o direito de ser eles mesmo.
Eles
só querem o direito legal a ter suas casas como todo
cidadão e pai de família deseja sempre e quando
quiser reformar e até construir quando seus filhos casam
e constrói em família, direitos que eles não
tem, quando seus filhos se casam são obrigados a morar
com seus pais ou deixar para trás toda sua história
e suas origens que vão ficando em extinção
será que as autoridades competente não tem sentimentos
ou elas pensam que este povo não o tem. Será que
as autoridades acham que não fere o orgulho e a história
desse povo.
Porque
rico e famosos tem o direito de comprar Ilhas, construir grandes
fortalezas, casas de veraneio até pousadas e hotéis
explorando estas terras que dizem ser terra da marinha eles
não coíbe esse tipo de comércio porque
não há interesse político em cobrir esse
povo são grande e poderosos, mas aquele povo da Marambaia
são humilhado e expulsos através de processos
sem direito a nada.
Sei que através desta carta que estou enviando a redação
deste jornal alguma autoridade competente ou até o nosso
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva se sensibilize e
reconheça o direito a terra desses Marambaiese Remanescente
de Quilombola.
Gilberto
