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Documentação


Um viveiro morto da mão-de-obra negra para o cafezal.
Impressões vividas de uma visita à fazenda do comendador
Joaquim Jose de Souza Breves no pontal da Marambaia.


FONTE: Biblioteca Nacional "O Jornal" Rio de Janeiro
DATA: 15/10/1927

por Assis Chateaubriand

"A prosperidade de Marambaia data de sua aquisição pelo comendador Joaquim José de Souza Breves (...). O s domínios deste grande senhor territorial abrangiam a restinga atravessavam o mar, desdobravam-se desde a raiz da Serra, Mangaratiba e o Saco de Mangaratiba, até o vasto cafezal que se alastrava do começo do anti-plamo em S. João do Príncipe, para ir morrer, a onda verde, propriedade do opulento cafezista no Valle do Paraíba".

"Na Marambaia plantava-se café nas encostas da montanha, cereais, milho, feijão, mandioca, cana de açúcar e criava-se gado".

"... grande importador de escravos, para atender as necessidades cada vez mais insistentes do cafezal (...) o comendador Breves vivia em contacto com aqueles que faziam o tráfico de escravos com o continente negro. A Marambaia era, neste sentido, um ponto estratégico. Ela lhe abria completamente o domínio do mar, para comunicações seguras com os navios negreiros que lhe traziam do outro lado do atlântico o combustível humano (...). Aquela fazenda era u pulmão da sua grandeza latifundiária em baixo e no alto da serra. O crescimento do cafezal impunha ao senhor o aumento do braço escravo. A repressão do tráfico encetada nos mares pela Inglaterra criava toda a sorte de obstáculos a importação do braço negro; de sorte que a posse de um local seguro daqueles de desembarque, importava para Breves no mesmo que possuir uma ligação permanente com os piratas que deviam assegurar-lhe o abastecimento da mão de obra do cafezal".

OBS: Breves adquiriu Marambaia de José Guedes.

"Na Marambaia também havia café, mandioca, milho, e os negros com que falei todos me disseram que nas fraudas dos morros existiam plantações de café que depois desapareceram. Todavia, ao que me a figura, o emprego mais importante daquela fazenda era o de servir de ponto de desembarque de pretos contrabandeados d'Africa. Os escravos que saiam dos porões dos navios negreiros permaneciam algum tempo naquele viveiro. Reconstituíam as forças perdidas na travessia transatlântica. Cevavam-nos e uma vez assim retemperados, eram distribuídos pelas fazendas do alto da serra. Logo, o que Breves possuía na Marambaia era uma estação de engorda do seu pessoal de eito e, isto explica as ótimas recordações que aqueles velhos escravos guardavam do senhor (...). Devia-se comer bem na Marambaia porque o objetivo mais importante daquela fazenda não era produzir café, mas fornecer mão de obra forte, robusta, para o trabalho no cafezal".

"As condições existentes hoje na Marambaia são as mais miseráveis possíveis. Os pretos dos Breves permaneceram na fazenda...".


Amada Vila junto ao mar de Sepetiba

FONTE: Jornal Mangaratiba
SEM DATA

Na Matriz de Nossa Senhora da Guia, de Mangaratiba, não mais se ouve o apito do
trem, ou o resfolegar da máquina cansada de subir a serra. Por motivos de ordem econômica, ou seja, por considera-la deficitária, a linha férrea foi desativada pela Rede Ferroviária Federal.

No lugar da estação, hoje somente uma plataforma vazia, às vezes ocupada por parques de diversões, e a linda vista do Cais, com seus saveiros, lanchas de passageiros e barcos de pesca em constante movimentação.

Entre a igreja e a plataforma, o Cruzeiro, de granito, chegado de Portugal em 1700, lembra ao turista devoto que a construção da Matriz iniciou-se em 3 de julho de 1785, a comando do Padre Salvador Francisco da Nóbrega, sendo concluída dez anos depois pelo Padre Joaquim José da Silva Feijó.

No campanário, dois sinos fora de uso mostram ao visitante o brasão de Portugal e Algarves, a cujo reino pertenceu o Brasil, "elevado " em 1815 por Dom João VI a "Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.

Nessa época, e até 1818, Mangaratiba pertencia ao Município de Angra dos Reis, passando então à jurisdição de Itaguaí, que fora elevada de aldeia a "Vila de São Francisco Xavier de ltaguaí" em 5 de junho daquele ano, pelo Alvará que ainda anexava à nova Vila a Ilha de Sapimiaguira ("picada de ave que queima", alusão dos nativos a abelha ou marimbondo), atual ltacuruçà, cujos recursos passariam a ser aplicados em ltaguaí.

Muito antes disso, porém, esta terra pertencia aos tamoios, que lutaram bravamente para
resguardá-la, saqueando lavouras e queimando moradias dos primeiros colonos que aqui
chegaram quando Capitania de Santo Amaro.

D. Manuel I doara Santo Amaro em 1534 a Pero Lopes de Souza, o qual, desinteressado, confiou a Capitania a Antonio Affonso, que também nada fez pela terra recebida, que só progrediu alguma coisa graças à vizinhança da Capitania de São Vicente, de Martim Afonso de Souza, irmão de Pero.

Somente em 1615, quando a região era assolada por piratas holandeses sediados na Ilha Grande sob o comando de Joris Van Spielberg, Martin de Sá, superintendente da Capitania adotou as primeiras providências, iniciando a construção de uma aldeia com o auxílio de tupiniquins já catequisados, trazidos de Pomo Seguro, Bahia, e entregues aos cuidados dos jesuítas. Não lhes agradando o local, entretanto, no mesmo ano a aldeia foi transferida para um morro denominado "Cabeça Seca".

A fim de reforçar o domínio, em 1620 o Superintendente Martin de Sá mandou trazer um grupo mais numeroso de tupiniquins para a llha de Marambaia e, depois, para Ingaíba, onde, juntamente com os jesuítas, edificaram uma capela dedicada a São Braz?.
Em 1688, afugentados por grandes temporais e ressacas. freqüentes, os habitantes transferiram-se para terra firme, onde hoje se ergue Mangaratiba. Era 1700, ano em que aqui chegou, de Portugal, o Cruzeiro de granito.

Nova capela foi edificada, agora sob a invocação de N. Sa. da Guia, no mesmo local onde Padre Salvador Francisco da Nóbrega em 1785 começou a levantar a atuaÍ Matriz de pedra e cal, com chão de azulejos em toda a nave. A fachada e o telhado acham-se decorados e ornamentados, em estilo barroco, decoração esta executada depois de pronta a igreja, portanto mais recente que a construção. Em 1967, recebeu tombamento IPHAN.

Não se pense, porém, que é a Matriz a único antiga construção religiosa de Mangaratiba: existo a Capela de Nova Senhora das Dores, na llha da Marambaia, erguida para os escravos, ostentando uma imagem de cedro da padroeira encontrada na antiga capela da Fazenda dos Breves (hoje em ruínas), datada de 1835. Também a Errmida de Santana, em ltacuruçá, é bastante antiga, construída que foi em 1840.

Em arquitetura civil, o prédio mais antigo é o Sobrado do Barão do Saí, na Rua Coronel
Moreira Silva, centro da Cidade, tipicamente colonial, de meados do Século XlX (tombado pelo Conselho Municipal de Cultura.

Lamentavelmente, perdem-se em terras particulares as ruínas da antiga cidade, 8 quilômetros ao Sul da atual, ao longo da Estrada de São João Marcos, onde já foram encontradas, por pesquisadores particulares, muitas peças antigas, e até moedas de ouro. Do Porto, só existe a murada do antigo trapiche: da linha férrea, somente a plalataforma da estação, e os versos cantados por Luiz Gonzaga - "Òi, lá vai o trem subindo estrada arriba/pr'onde é que ele vai?/Mangaratiba/ Mangaratiba..." (A estrada foi desativada em 1979, já tendo sido arrancados trilhos e dormentes em uma boa extensão).


FH admite que fala e viaja muito

FONTE:O Globo
DATA: 13/12/2001

Presidente diz que se sente em casa na Marambaia
Por Cristiane Jungblut e Ana Paula Macedo

Brasília. Apesar do formalismo das cerimônias militares, o presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou ontem duas solenidades para confessar que fala e viaja demais. Em evento dos oficiais-generais recém-promovidos, Fernando Henrique admitiu o hábito de falar demais, o que, segundo ele, às vezes provoca mal-entendidos. A declaração foi feita justamente dias depois de o presidente ter criado polêmica ao dizer que o cientista, quando não consegue se tornar famoso, acaba virando professor.
- Não quero fazer um longo discurso, embora tenha o hábito de falar mais do que a prudência indica - disse.
Mas o presidente não cumpriu a promessa. Cerca de uma hora depois, durante almoço no Clube Naval, Fernando Henrique fez um discurso de 30 minutos. Ele admitiu que pode ser o presidente que mais viajou, mas disse que viaja para defender os interesses do Brasil no exterior e para manter contato com a população do país.
- Meu convívio (com a Aeronáutica) é freqüente porque viajo muito. E viajo mesmo. Para defender os interesses do Brasil lá fora ou para sentir mais de perto a população. Nunca um presidente viajou tanto pelo Brasil - disse ele.
Fernando Henrique ainda elogiou o espírito de camaradagem das Forças Armadas. Ele disse que se sente em casa quando passa os fins de semana na Restinga da Marambaia, no Rio, numa base naval. O presidente ainda reclamou que tem poucos dias de folga. Segundo ele "descansar é coisa rara".
- A Restinga da Marambaia é um dos lugares que mais gosto de estar. Lá o presidente se sente em casa - disse.


Vídeo "Quilombolas da Marambaia"


FONTE: Informativo Territórios Negros. n. 4
DATA: 2003

Trata-se de um documentário de 10 minutos sobre as dificuldades da comunidade que luta contra a Marinha pelo direito de permanecer e utilizar a área da ilha da Marambaia. Para ter acesso ao vídeo, entre em contato com KOINONIA - Territórios Negros. O vídeo será reproduzido a preço de custo.


Relatório Técnico-Científico sobre a Ilha da Marambaia

FONTE: Informativo Territórios Negros. n. 14
DATA: 2004

No dia 30 de dezembro de 2003 foi entregue à Fundação Cultural Palmares (FCP) o "Relatório Técnico-Científico Sobre a Comunidade Remanescente de Quilombos da Ilha da Marambaia, Município de Mangaratiba (RJ)", realizado por KOINONIA em parceria com a Universidade Federal Fluminense (Núcleo de Referência Agrária e Núcleo Fluminense de Estudos e Pesquisas). A Associação de Remanescentes de Quilombos da Ilha da Marambaia recebeu uma cópia do laudo e agora toda a comunidade espera que o processo de reconhecimento e titulação das terras seja breve.
Mesmo não sendo reconhecida oficialmente como remanescente de quilombo, a FCP incluiu a comunidade no Programa Fome Zero e, no mês de fevereiro, entregou juntamente com o Incra/RJ noventa cestas básicas, número insuficiente para as 115 famílias moradoras.

Apesar da Marambaia estar na lista de prioridades da FCP para reconhecimento e titulação, e apesar das intervenções do Ministério Público Federal, a Marinha do Brasil tentou mais uma vez derrubar a casa de um morador da ilha, contrariando uma liminar judicial. Esta ação foi impedida pelo Procurador Daniel Sarmento que, contactado por KOINONIA, interveio junto ao comando militar proibindo a destruição da casa.

 


 

 

 








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