Revista OQ
Ano 4 - Número 5
Setembro de 2019
Observatório Quilombola Koinonia

Artigos

Naná, a menina que descobriu ser mais que princesa: guerreira!


Cledineia Carvalho Santos
 
16/09/2019

Naná era uma menina Linda! Linda!
Seus cabelos são como a coroa de Anima
Seus lábios, mais belos que os de mel
Com seus vestidos de flores
Brinca de escolinha, quer ser professora quando crescer!

Suas mãos tão delicadas,
São mais macias que a flor!
Naná gosta de ajudar.
Ajuda a mãe a cuidar da casa,
No tempo da colheita,
Lá está Naná com seu balaio para ajudar o pai.
Uma vez na semana, Naná vai com sua avó lavar a roupa no rio.
É Naná quem leva os baldes e ajudar a pendurar as roupas no varal.

Naná tem duas irmãs com quem briga de vez em quando.
Naná muitas vezes não se sente amada.
Ela é diferente. Ela sente isso!
Um dia escutou que seu cabelo mais parece arapuá.
Noutro, que era a mais feia entre as irmãs.
Nem pareceria ser da mesma mãe!
Ouvia e doía!
Naná ficou triste. Muito triste!
Nana então percebeu que os seus cabelos de Anima não eram bonitos como os das irmãs.
A mãe de Naná colocava fitas coloridas nos cabelos das irmãs dela. Já Naná só podia usar tranças para o cabelo domar.
Naná começou a se esconder de gente. Gente que ia lá trabalhar, gente que vinha da cidade, gente que passava na estrada.

A situação de Naná só piorava.
Seus cabelos de cachinhos bem fininhos foram violentados.
Uma tesoura enorme fazia Trac! Trac! na sua cabeça.
Em cada trac! Pedaços de cachinhos fininhos iam preenchendo o chão.
Naná se sentiu descoroada, mas nada podia fazer.
Era só uma menina que sempre ouvia que seus cabelos davam trabalho.
Naná chorou muito nesse dia. Cala boca menina! Era só o que ouvia e, doía!

Um dia Naná foi para a escola.
Naná ficou encantada! Era um mundo a desvendar.
Desde seus primeiros anos, a escola foi seu meu lugar.
Ela descobriu as letras, aprendeu a questionar!
Naná então decidiu:” Não vou mais me conformar”!
Vou ser professora para poder ensinar.
Ensinar a pensar, a questionar, a resistir!

Naná cresceu e se formou professora!
Foi para faculdade! Lá desabrochou.
Entendeu-se como negra e que seus cachinhos finos é a ancestralidade que carrega.
Que sua cor, chamada parda, na verdade é a cor de gente preta que corre em suas veias.
Gente preta que foi escravizada.
Naná na verdade, sempre foi mais que princesa, é guerreira.
Naná gosta de falar de gente preta sempre pelo seu legado de resistência.
Naná sabe que é negra não só pela cor que carregas. Ela é negra porque tem orgulho da história de seus ancestrais.
Naná é professora de gente como ela.
De meninas que também são princesas, guerreiras, mas ainda não sabem.

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